A morte do torcedor botafoguense Diego Silva dos Santos, no último
dia 12, antes da partida entre Botafogo e Flamengo, foi a gota d´água
para a Justiça proibir a presença de torcida adversária nos jogos
estaduais do Rio. A determinação foi divulgada nesta sexta-feira (17),
em caráter liminar, pelo juiz Guilherme Schilling Polo Duarte, do
Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos.
Caso os
clubes e a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj)
descumpram a determinação, deverão pagar multa de R$ 30 mil diários.
O
pedido de liminar havia sido feito pelo Ministério Público, diante dos
inúmeros casos de violência no futebol. A ação tem como réus Flamengo,
Vasco, Botafogo, Fluminense e Ferj. “Defiro a liminar... sendo
autorizada a comercialização de ingressos apenas para a torcida do time
mandante do jogo”, escreveu o magistrado em sua decisão
O juiz utilizou dados de pesquisas – inclusive uma da Universidade de
São Paulo - que mostram a crescente violência entre torcedores, com
mais de 100 mortes em duas décadas. “O quadro de crescente violência nos
estádios e suas cercanias é alarmante e de conhecimento público... Os
resultados mostram que durante 20 anos ocorreram 133 mortes de
torcedores brasileiros, vítimas de enfrentamentos entre torcidas e
acidentes em estádios,” justificou o magistrado.
Ainda de acordo
com o juiz, apenas de 2007 a 2011 foram registrados 73 óbitos, cerca de
54% do total. Para ele, a morte de Diego, no clássico realizado no
Engenhão, foi um exemplo de barbárie, incentivada pela facilitação às
torcidas organizadas. “O homicídio de Diego foi o de número 177
envolvendo brigas de torcidas nos últimos 17 anos, tal como ressaltado
pelo Ministério Público em sua inicial,” argumentou o magistrado
Guilherme Duarte na sua decisão.
Ferj responde
A
Ferj respondeu em nota e disse quer irá cumprir a determinação
judicial, enquanto esta estiver valendo. "Vamos cumprir enquanto a
decisão estiver prevalecendo. Entretanto, continuamos com a opinião de
que não é isso efetivamente que vai influir na violência nos estádios.
No interior, a prevalência e a incidência de atos violentos são
insignificantes estatisticamente. O grande problema está fora dos
estádios, às vezes até a quilômetros de distância, onde acontecem atos
de vandalismo."
"A solução efetiva e eficiente deve sair de um
entendimento com os envolvidos. Não só o Judiciário. Mas Polícia
Militar, Polícia Civil, Guarda Municipal, clubes, com todas as pessoas
envolvidas no planejamento para ver se conseguimos reduzir o risco. Há
muitos anos a Ferj luta pela paz no futebol. Já fizemos inúmeras
reuniões sobre o assunto, debatemos inclusive no Tribunal de Justiça,
que tem uma comissão constituída para o assunto. Mas de qualquer forma é
uma decisão judicial e vamos cumprir incontestavelmente no momento."
Edição: Augusto Queiroz





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