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| (Foto: Vincenzo Pinto / AFP Photo) |
O papa
Francisco disse neste sábado (2) que chorou ao ouvir 16 refugiados
rohingyas na véspera em Daca, e explicou que o fato de poder conhecer
gente dessa minoria muçulmana tinha sido "uma condição" para ele viajar a
Mianmar e Bangladesh.
"Sabia que conheceria os rohingyas, mas não sabia onde nem quando. Era a
condição da viagem para mim", disse no avião que o levava de volta a
Roma após seis dias na Ásia.
O pontífice elogiou o governo de Bangladesh por ter tornado possível
que os refugiados viajassem do seu campo, no sul do país, até Daca para
falar com ele. "O que fez Bangladesh por eles é enorme, um exemplo de
acolhida", disse.
Os refugiados, assustados, formaram uma fila indiana para vê-lo na sexta-feira (1º), após um encontro inter-religioso.
"Chorava, tentei fazer com que não se notasse", disse o papa. "Eles
também choravam", contou. "Pensei: 'não posso deixar eles irem embora
sem lhes dizer uma palavra'", afirmou Francisco, que usou um microfone
para lhes pedir "perdão" em nome dos que os perseguem.
Francisco também respondeu os que se surpreenderam com sua grande
prudência em Mianmar, onde em nenhum momento mencionou diretamente a
minoria muçulmana apátrida e evitou chamá-la pelo seu nome, uma palavra
tabu nesse país de maioria budista.
"Se tivesse pronunciado essa palavra em um discurso oficial, teria fechado a porta para o diálogo com os birmaneses", afirmou.
"Tive a satisfação de dialogar, de fazer o outro falar", explicou o
pontífice, que disse estar "muito satisfeito" com suas conversas em
Mianmar, dando a entender que tinha expressado sua opinião de forma
muito mais clara em privado.
Desde o final de agosto, mais de 620.000 rohingyas fugiram a Bangladesh
para escapar da repressão do exército no oeste de Mianmar, que a ONU
qualificou de "limpeza étnica".
Por France Presse





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