De acordo com o Ministério do Trabalho, a economia do Brasil no ano passado fechou 20.832 postos de trabalho formais, ou seja, com carteira de trabalho assinada
O melhor resultado em três anos. Isso porque entre 2015 e 2017, o país fechou um total de 2,88 milhões de postos. desde 2014 quando foram criadas 420,69 mil vagas de trabalho.
O saldo negativo de 20.832 postos registrados em 2017 é a diferença entre as contratações (14.635.899) e as de demissões (14.656.731) e tem como base o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
Com o corte de vagas em 2017, o Brasil fechou o ano com um estoque de
38,29 milhões de empregos formais existentes. Esse é o estoque mais
baixo desde o final de 2011, quando 38,25 milhões de pessoas ocupavam
empregos com carteira assinada no país.
Ao final de 2016, o Brasil tinha 38,32 milhões de pessoas trabalhando com carteira assinada.
Somente em dezembro de 2017, as demissões superaram as contratações em 328.539 vagas
com carteira assinada. O fechamento de postos foi menor que o
registrado no mesmo mês de 2016, quando 462.366 pessoas perderam o
emprego.
Dezembro é tradicionalmente um mês que registra demissões. Apesar da
queda, foi o melhor dezembro desde 2007 (-319.414 vagas fechadas).
Mercado demite mais mulheres
Os números do Caged mostram que as mulheres foram mais atingidas pelo
desemprego no ano passado: o número de demissão de mulheres superou o de
contratações em 42.526 postos.
Já para os homens, o resultado ficou positivo no ano passado: foram 21.694 vagas abertas a mais do que fechadas.
De acordo com Mário Magalhães, do Ministério do Trabalho, o resultado
está relacionado com a recuperação mais acelerada, em 2017, de setores
da economia que "tipicamente" criam postos para homens, como é o caso da
agricultura e repositor de mercadorias.
O Ministério do Trabalho também divulgou dados de contratações e
demissões por raça e cor em todo ano de 2017. Nesse caso, a análise é
feita com base na "autodeclaração" de cada trabalhador.
De acordo com os números, os trabalhadores que se declaram como brancos
perderam 322.669 postos de trabalho no ano passado. Os de raça amarela,
-12.093 e, os que se declaram indígenas, -2.225 postos.
Entre as vagas criadas, o maior número foi para trabalhadores que não
declararam raça ou cor (+225.862). Para trabalhadores que se declararam
como pretos ou pardos, o número de contratações superou o de demissões
em +30.654 e +59.639 postos no ano passado.
Ano de 2017 por setores
De acordo com os números do governo, cinco dos oito setores da economia
fecharam vagas no ano passado. O setor de construção civil foi o que
mais cortou postos: -103,9 mil.
Já o comércio foi o que mais abriu vagas de emprego. Ao longo de 2017, o
setor contratou, com carteira assinada, 40 mil pessoas a mais do que
demitiu.
Setores que fecharam vagas:
- Construção civil: -103.968 postos
- Indústria de transformação: -19.900 empregos
- Indústria extrativa mineral: -5.868 postos formais
- Serviços Industriais de Utilidade Pública: -4.557 vagas
- Administração pública: -575 empregos
Setores que abriram vagas:
- Comércio: +40.087 vagas formais
- Agropecuária: +37.004 vagas
- Serviços: +36.945 empregos
Regiões do país
De acordo com o Ministério do Trabalho, três das cinco regiões do país
registraram mais demissões do que contratações no ano passado. O Sudeste
liderou no fechamento de vagas: -76,6 mil.
Já o Centro-Oeste, fortemente marcado pela produção agrícola, foi a
região que mais abriu postos formais de trabalho em 2017. Foram 36,8 mil
contratações acima do número de demissões. Veja abaixo os números por
região:
Regiões de fecharam vagas:
- Região Sudeste: -76.600 vagas
- Região Nordeste: -14.424 vagas
- Região Norte: -26 vagas
Regiões que criaram vagas:
- Região Centro-Oeste: +36.823 vagas
- Região Sul: +33.395 vagas
Escolaridade e faixa etária
Os números do Caged também apontam que o desemprego atinge mais os
trabalhadores com escolaridade mais baixa. A maior parte dos postos
fechados no ano passado era ocupada por trabalhadores com ensino
fundamental incompleto (-188.877) e ensino fundamental completo (
-139.546).
Para quem tem ensino médio completo, superior incompleto e superior
completo, houve abertura de vagas em 2017. Veja abaixo os números
- Analfabeto: -800 vagas
- Fundamental incompleto: -188.877 vagas
- Fundamental completo: -139.546 vagas
- Médio incompleto: -54.163 vagas
- Médio completo: +302.946 vagas
- Superior incompleto: +24.201 vagas
- Superior completo: +35.406 vagas
"Há uma oferta de emprego muito grande para pessoas qualificadas, que
possivelmente estão aceitando postos abaixo de sua qualificação. Isso
ainda está ocorrendo. É normal do mercado quando o desemprego é muito
alto e está começando a gerar empregos", declarou Mário Magalhães, do
Ministério do Trabalho.
Os números do Caged apontam ainda que a maior parte das vagas de
trabalho abertas no ano passado foi para trabalhadores com idade entre
18 e 24 anos (+652.734). E que a principal faixa etária atingida pela
demissão foi a dos trabalhadores entre 50 e 64 anos. Veja os números:
- Até 17 anos: +171.185 vagas
- 18 a 24 anos: +652.734 vagas
- 25 a 29 anos: -4.994 vagas
- 30 a 39 anos: -187.546 vagas
- 40 a 49 anos: -206.624 vagas
- 50 a 64 anos: -379.930 vagas
- 65 ou mais: -65.656 vagas
Editada:
Fonte: G1





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