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| (Foto: Walla Santos) |
As contas de luz vão ficar mais caras em todo o Brasil. Todo mundo
vai ser obrigado a pagar uma indenização bilionária que o governo deve
às transmissoras de energia.
Os cálculos são da Agência Nacional de Energia Elétrica. A conta é
comprida (R$ 62,2 bilhões) e a história também. Começa em 2012, quase
cinco anos atrás.
Na época, o governo exigiu das distribuidoras mudanças nos contratos.
Elas tiveram que aceitar renovar antecipadamente as concessões, mas
seriam indenizadas para cobrir os gastos que tiveram com obras de
modernização das redes que fizeram até o ano de 2000.
Uma medida provisória, assinada pela então presidente Dilma Rousseff,
alterou o marco regulatório do setor elétrico, retirou encargos da
tarifa de energia. Isso permitiu, em 2013, a redução de cerca de 20% na
conta de energia elétrica para os domicílios e para a indústria.
Mas, em 2015, o governo percebeu que não tinha dinheiro para manter os subsídios à tarifa. Então veio o tarifaço, com um aumento de mais de 50% na conta de luz.
A indenização para as distribuidoras, na verdade, deveria ter
começado a ser paga em 2013, mas houve demora, até que o governo
chegasse a um acordo com as empresas sobre o quanto elas tinham direito a
receber. Como o governo não tem dinheiro em caixa, mais uma vez vai
repassar a despesa para o consumidor.
De acordo com a decisão da Aneel desta terça-feira (21), nós teremos
oito anos para pagar essa indenização. A primeira parcela deve ser de R$
10,8 bilhões.
Na prática, isso quer dizer que, num primeiro momento, somente em
2017, as contas de luz vão chegar às casas e às empresas com um aumento
médio de 7,17%.
Como o cálculo do reajuste depende de outros componentes, o efeito
nas tarifas pode variar, para mais ou para menos. E vai ser assim até
2024: todos teremos reajustes nas tarifas de energia só por causa dessas
indenizações.
O diretor-geral da Aneel, Romeu Ruffino, diz que por contrato e por
lei as empresas têm direito à indenização: “O conceito de que ela
eventualmente se apropriou de um ganho na época, que justificaria não
indenizar, não neutraliza o direito que ela tem à indenização ou seguir
explorando a concessão.”
O presidente da Abrace, a Associação Brasileira de Grandes
Consumidores de Energia, não concorda com o pagamento das indenizações e
muito menos que sobre para o consumidor.
“O consumidor não deve nada disso. Não deve pagar uma conta que
talvez tenha sido provocada por um erro do governo em 2012. Essa conta
jamais deve ser do consumidor industrial, residencial ou para todos
eles”, disse Edvaldo Santana.
Globo- Via diário do Sertão





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