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| Foto: Weslley Santos. Presidente Dutra/BA. |
Depois de um outubro muito quente e
seco, com decreto de nível 2 da bandeira vermelha, com os reservatórios
do Sudeste baixando e com o fantasma de Sobradinho zerar, a chuva veio
com força sobre o país em novembro e o cenário hoje é bem mais
animador.
O nível 2 da bandeira vermelha é a pior situação que o
consumidor pode ter. Significa que as usinas térmicas estão ativas, que a
demanda é alta, que a geração térmica é igual o maior do que R$610,00
MWh e que a conta de luz aumenta R$3,50 a cada 100 kWh consumido.
Em outubro só chovia no Sul, mas depois
as áreas de instabilidade se espalharam pelo país e na última
semana tivemos uma forte convergência de umidade que possibilitou até a
formação de um sistema muito parecido com uma ZCAS, a Zona de
Convergência do Atlântico Sul, um sistema meteorológico típico de
verão que provoca chuva volumosa em particular sobre o Sudeste e sobre o
Centro-Oeste do Brasil.
Para se decretar que existe uma ZCAS é
preciso que alguns fatores meteorológicos estejam presentes e
recorrentes pelo menos 5 dias. No entanto, mesmo faltando um desses
fatores foi observada muita chuva.
Caixa d´água do Brasil está enchendo
Observe que choveu em grandes volumes
sobre a “caixa d’água” de energia do país. O jargão “caixa d’água” é
utilizado no setor elétrico para designar as áreas onde estão os
principais reservatórios que sustentam a geração de energia no país.
É a região que abrange todo o estado de
Goiás, o oeste e o sul de Minas Gerais, uma parte do norte do estado de
São Paulo e a região de divisa de São Paulo com Minas Gerais. Estes
reservatórios estão em grandes rios como o rio Verde, o Paranaíba, o
Grande e o rio Tocantins.
Com tanta chuva, os principais
reservatórios começaram a subir, inclusive o Sobradinho que termina
recebendo toda a água que cai desde a Serra da Canastra, na divisa de
São Paulo com Minas Gerais, até o norte da Bahia. Os reservatórios do
Subsistema Sudeste subiram ao todo 1%. Parece pouco, mas mostra que o
período úmido começou (parou de baixar e já começou a subir).
A energia natural afluente (ENA) subiu
bastante. A ENA é um termo técnico usado em geração de energia e que
está ligada à vazão do rio – quantidade de água que corre por unidade de
tempo. No subsistema Sudeste houve um aumento de 20% em relação ao
início do mês de novembro. No entanto, em relação ao dia 15 de outubro
(antes de começar alguma chuva), a ENA triplicou!
No Subsistema Nordeste, a ENA subiu
muito em relação ao início do mês de novembro. A ENA no dia 01/11/2017
era de apenas 546 MWmed, enquanto que no dia 31/11/2017 chegou a 2521
MWmed. Isto é quase 5 vezes mais, porém não chegou nem na metade do que
deveria gerar em novembro, que é em média 5446 MWMed.
No Subsistema Norte, a ENA está
aumentando também, só que mais lentamente. Já os reservatórios ainda
estão baixando, o que é normal devido à operação da ONS – Operador
Nacional do Sistema Elétrico.
Como consequência, o preço da
comercialização no mercado livre caiu muito nas últimas duas semanas,
conforme relatório da CCEE – Câmara de Comercialização de Energia
Elétrica. Além disso, o governo já anunciou a volta para a bandeira
vermelha nível 1. Ambos os sistemas de cobrança devem ir diminuindo ao
longo das próximas semanas. Isto quer dizer que o preço vai cair no
mercado livre e possivelmente devemos passar para as bandeiras amarela e
verde nas próximas semanas.
Com previsão de mais chuva durante o mês de dezembro, a tendência é de que a conta de luz volte a baixar!
Crise energética acabou?
Vale lembrar que apesar da chuva
esperada, não devemos ter o fim definitivo dos problemas de energia.
Eles podem voltar ao longo de 2018! Isso porque nossas reservas estão
muito baixas e precisaríamos de muito mais do que um período úmido
“muito molhado” para reverter por completo a situação de deficiência
energética atual.
Observe nos gráficos abaixo que estamos
em uma situação muito perto do pior cenário já registrado no passado (de
2000 para cá), tanto no subsistema Sudeste, quanto no Subsistema Norte e
no Nordeste.





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